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Não Saber é formidável

ESGOTADO!!

NÃO SABER É FORMIDÁVEL!
Nathalie De Salzmann de Etievan - 236 páginas
- R$ 42,00
SEGUNDA EDIÇÃO REVISTA

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Toda grande descoberta tem começado por uma pergunta e é com uma pergunta que um novo conceito na educação pode iniciar-se. É aqui onde começa o conceito de liberdade. Liberdade para pensar e para que a criança e o educador expressem sua opinião, sua dúvida e sua pergunta. Liberdade para dar-se conta de que o fato de não saber não é algo limitante, e sim uma abertura para querer aprender, uma abertura para o conhecimento. Por conseguinte, não saber é formidável, porque nos dá a possibilidade de aprender. A educação de hoje está quase exclusivamente dirigida ao desenvolvimento da mente. Existe uma admiração exagerada para o que se chama inteligência ou capacidade intelectual às custas dos sentimentos e do corpo.

As coisas são explicadas à criança sem que esta seja levada em conta integralmente, sem que se considerem seus sentimentos e seu instinto. Esquece-se da criança por causa de idéias que acabam sendo mais importantes do que ela. No Modelo Educacional Etievan os professores são treinados no desenvolvimento de uma atenção mais fina e no deixar fluir livremente a expressão de afeto ou sentimento positivo que nutrem pelas crianças. Ao receber esse sentimento, a criança é impregnada por ele, o armazena e depois o expressa livremente também, capacitando-se assim para dar e receber amor. Um livro para pais e educadores que sentem a falta de algo essencial em nossa educação para atender às necessidades de nossas crianças e adolescentes no mundo de hoje.




photo © Horus Editora, S. P.

Nathalie De Salzmann de Etievan

Nascida na Georgia, educada na Suiça e na França, Nathalie De Salzmann de Etievan viveu no Rio de Janeiro e radicou-se na Venezuela desde 1950. Jornalista, tradutora, piloto, pintora de mérito reconhecido em várias exposições, ela é sobretudo uma educadora.
De caráter vigoroso e afirmativo, possuidora de uma rara capacidade para compreender e comunicar-se com as pessoas, ela dificilmente passa desapercebida. Em sua presença, em suas palavras, recolhidas neste livro, se mantêm vivas suas experiências de muitos anos de trabalho com crianças, jovens e adultos. Daí o poder estimulante, a profundidade, o caráter eminentemente prático destas páginas para todo aquele que realmente deseja cumprir com sua responsabilidade como professor e como pai. Nos colégios fundados e dirigidos por ela na Venezuela, na Colômbia, no Peru e no Chile, grupos de pais e professores se esforçam para tornar realidade este modelo educacional o primeiro surgido de uma experiência latino-americana em que encontram, para eles e para seus filhos, "uma direção e uma esperança". "Ela não nos deu receitas. Nos propôs orientações claras e despertou em nós o entusiasmo para tentar uma e mil vezes por nós mesmos, e assim aprender por meio de nossa própria experiência. Ela nos mostrou, por exemplo, que a educação do sentimento, tão descuidada hoje em dia, é fundamental; que não é um pai ou um professor aquele que já sabe, mas sim todo aquele que procura estar completamente atento e aberto ao aprendizado; que não podemos pedir nada a nossos filhos ou a nossos alunos, se antes não o tivermos exigido, com honestidade, de nós mesmos". ...a proposição provocadora, o aparente paradoxo, que nos surpreende desde o título deste livro, corresponde muito bem a seu conteúdo e a sua autora, para quem educar é sobretudo compartilhar uma busca atenta, ativa, entusiasta, com os próprios alunos. Nem uma elucubração teórica, nem um receituário de soluções, este livro baseia-se numa coerente concepção do homem e em sua possibilidade de desenvolvimento harmonioso, ao mesmo tempo que se nutre de uma vasta experiência e uma observação atenta do processo educacional por parte de uma mulher literalmente excepcional. Desenvolver a atenção, a autoconfiança, o senso de responsabilidade, a educação da vontade, a educação do sentimento, a educação sexual. As qualidades de um educador - como estar aberto frente às crianças? - o castigo, o respeito. Problemas da vida moderna: a televisão, as drogas, a violência. Como lidar com os caprichos, a vaidade, a inveja, a mentira, a destrutividade, o roubo, as crianças-problema. Estes e outros temas são abordados neste livro de forma inovadora, resgatando, ao mesmo tempo, uma visão tradicional da educação da criança como ser humano com direito a viver mais completamente e a amar.

 


TRECHO DO LIVRO

CARTA AOS LEITORES

Queridos leitores:

Desde muito pequena fui educada de acordo com as idéias de G. I. Gurdjieff, expressas no livro Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido de P. D. Ouspensky.

Este ensinamento despertou em mim um profundo interesse em buscar uma forma de educar que ajudasse a criança a despertar sua consciência e a desenvolver seu sentimento.

O presente livro é uma recompilação de várias conferências feitas em muitos países, no curso de vários anos, e também de reuniões mantidas com minha equipe de professores. Devido a essas razões há repetições, pelas quais de antemão quero pedir-lhes desculpas.

Por outro lado, quero ressaltar aqui que meu caráter é um só, com marcada tendência para o categórico. Algo disto se notará em minhas palavras. Gostaria que vocês, ao lerem este livro, colocassem as coisas em seus lugares.

Esses exageros ou maneiras absolutas de dizer as coisas não revelam nenhuma violência ou negatividade da minha parte, senão, pelo contrário, um sincero desejo pelo bem de todos e uma profunda convicção de que isto é possível.

Obrigada,
Nathalie de Etievan

 

INTRODUÇÃO

Neste livro nos propomos mostrar o estado atual das coisas, numa linguagem simples e sem disfarces.

Depois de trabalhar durante vinte anos na formação de jovens e preparando professores, fundamos em 1972 uma escola para crianças e jovens na qual temos colocado em prática nossas idéias.

O que nos fez decidir a comunicar nossa experiência foi o resultado de nosso tentar, nossos sucessos e fracassos, e a angustiante situação em que vivem as crianças, os jovens e os pais no mundo de hoje.

Neste momento da humanidade todos podemos ver a atitude do jovem frente ao mundo que ele sente e percebe: uma atitude de negação, de rechaço. Não quer receber nada dele. Uma atitude que é angustiante para todos. Que será desses jovens no dia de amanhã? Não estão acostumados a ser responsáveis nem a colocar sobre seus ombros o peso de uma dificuldade. Essa situação traz como resultado a tentativa de evasão, recrudescimento no uso de drogas, indiferença e abandono. De sua parte, os adultos se sentem desconcertados, não sabem como enfrentar essa circunstância, pois neles se opera um frenesi de viver suas próprias vidas com a correspondente transferência de valores. Tudo é válido: as trocas de parceiros, o ganhar dinheiro como meta primordial, a busca do poder sem assumir a responsabilidade correspondente e a permissividade sem limites que faz do mundo um lugar onde nada é mau.

Infelizmente essa situação e sua trajetória apontam para um amanhã ainda pior que o hoje. É portanto imperiosa e necessária uma educação destinada a despertar a consciência, a infundir nas crianças a confiança em si mesmas para enfrentar a vida, responsabilizar-se e utilizar sua inteligência conjuntamente com seus sentimentos.

Depois de ter visto e lido sobre tantas maneiras de educar que não resultaram suficientemente satisfatórias, devemos dizer ¾ afirmar ¾ que os pais e professores a quem nos dirigimos ao longo deste livro têm de ser como os educadores antigos: seres absolutamente dedicados à sua profissão, com um profundo interesse naquilo que estão fazendo e incondicionalmente decididos a aprender tanto quanto a ensinar, a fim de ser mais e, por conseguinte, poder dar mais. Devem ser professores com uma abertura especial para as crianças, um afeto, um amor. Ajudar um ser humano a transformar-se, a converter-se de criança em homem verdadeiro, é a maior ajuda que se pode dar à humanidade e, ao mesmo tempo, proporciona à pessoa cuja vocação é educar a felicidade mais profunda que existe na vida. Isto que estamos propondo vem a ser, em essência, um verdadeiro sacerdócio.

Educar assim, de uma maneira realmente integral, em que educar e aprender não é apenas uma parte da vida, mas a própria vida, impõe certas condições, e, portanto, são talvez poucas as pessoas a quem possamos interessar no sentido de trabalhar dessa forma. Fazemos um chamado para unirem-se a nós todos aqueles que ¾ professores ou não ¾ ao ler este livro se interessem em ampliar sua inteligência e sua possibilidade de amar, e tenham algo positivo a dar às crianças.

Outra de nossas dificuldades provém de que consideramos indispensável dar às crianças uma atenção mais personalizada. Isto significa ter poucas crianças por classe, o que por sua vez representa dupla quantidade de professores e de salários.

As crianças necessitam de que lhes sejam propostas muitas coisas diferentes (carpintaria, mecânica, judô, artesanato...) para ampliar seu mundo de experiências e para que, depois, lhes seja mais fácil escolher realmente o que querem e se encontrem mais bem preparadas para enfrentar a vida. Todas essas atividades são dispendiosas. A educação assim não dá dinheiro. Com ela não se ganha dinheiro, não é negócio e nem deve sê-lo. Esse tipo de educação tem uma dimensão e importância inegáveis, mas custa muito. Por outra parte, a idéia da educação gratuita recai sobre o Estado, que, ao não poder fazer frente à enorme carga econômica, converte-a em uma educação maciça e niveladora.

Estudando a humanidade desde o começo de sua história, notar-se-á que, a cada vez que surge uma nova proposta, imediatamente ocorre uma reação contrária e em ambos os casos há exageros. A última tendência generalizada na educação ocidental, na segunda metade do século XIX, foi a do mundo vitoriano. Exagerada quanto a proibições de todo tipo, criando inibições nos seres e provocando, tal como são as coisas, a reação contrária atual: tudo é permitido. Nem os princípios em que se fundamentou a rainha Vitória, nem aqueles em que se baseiam os educadores modernos, que reagem contra o passado, estão corretos. Não estão porque são exagerados, e o exagero nunca é o justo. A verdade está sempre em algo medido, equilibrado. Do mesmo modo, a educação dirigida só à mente e ao corpo não é equilibrada porque se esquece de um fator importantíssimo: a educação do sentimento. Nosso desejo é ajudar esse fator de equilíbrio, contribuindo, assim, para que se reencontre um lugar justo entre dois exageros.

Este livro é o resultado de anos de trabalho com professores, educadores e psicólogos, e está baseado em conversas e discussões com eles. Tem como meta alertar pais e professores, oferecendo-lhes uma ferramenta prática para educar e, desse modo, influir positivamente em seu ambiente.